Hábitos de consumo e realização pessoal

Saiba mais sobre hábitos de consumo.

consumoDia desses, conversando com uma amiga sobre hábitos de consumo, ouvi o seguinte depoimento: “o dinheiro que me sobra no mês, vou para o shopping e compro tudo em roupas e sapatos. Para mim, isso serve como uma terapia… um prêmio por todo o esforço que faço em meu trabalho. Nesses momentos eu me sinto realizada”.

O hábito, em si, não me chocou em demasia, pois não foi uma grande novidade tal relato. Isso porque, para algumas pessoas, o consumo parece servir como uma válvula de escape para os problemas do dia a dia. Todavia, o que me deixou com “uma pulga atrás da orelha” foi o desfecho, atribuindo uma sensação de realização no ato da compra de uma roupa. Não quero parecer ranzinza, aborrecedor, nem criticar como minha amiga gasta seu dinheiro. Na verdade, gostaria de dar um depoimento pessoal neste artigo, apresentando as características sobre os MEUS hábitos de consumo. Acho que essa é uma reflexão válida, que todas as pessoas deveriam exercitar, e compartilho com vocês minhas conclusões pessoais.

Primeiramente, eu não me realizo comprando roupas, trocando de carro ou comprando um novo notebook. Busco fazer tais escolhas apenas quando vejo necessidade e, comigo, isso tem funcionado razoavelmente bem. Essa falta de apego a certos bens materiais encontra guarida na seguinte argumentação: ao comprar uma roupa nova, passados alguns meses de uso, eu simplesmente a descarto, e não vejo como esse consumo realizado pode fazer alguma diferença na pessoa que sou. O carro novo, idem: depois de um tempo de uso, começará a apresentar problemas, sendo preciso trocá-lo; certamente vou perder dinheiro nessa transação, conseguindo, na verdade, apenas diminuir meu patrimônio. Percebam que essa é uma opinião pessoal, ou seja, minha maneira de ver o mundo, não tendo relação com o que é certo ou errado.

Por outro lado, ADORO gastar dinheiro com bens e serviços que me adicionam sensações perenes, de longo prazo. Uma viagem, por exemplo, oferece não só o prazer do ato em si, mas principalmente uma bagagem cultural e sensações que poderei recordar pelo resto da vida. A aquisição e leitura de um bom livro também tem o efeito de causar reflexos permanentes em minha pessoa, pois levarei o conhecimento adquirido por muitos e muitos anos, interferindo diretamente em minha formação intelectual e na maneira como lido com o mundo à minha volta.

Dessa forma, termino esse artigo apresentando uma conclusão pessoal: de tudo que consumo, algumas não possuem impacto algum na pessoa que sou, e outras me modificam enquanto ser humano. E são essas últimas que me dão maior prazer em consumir, sendo todo o resto apenas uma pequeníssima fração de um contexto muito mais profundo e revelador.

É isso aí pessoal. Deixe nos comentários a SUA reflexão e boa sorte em suas finanças e vida pessoal!

 

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Sobre o Prof. Elisson de Andrade

Professor universitário e palestrante sobre Educação Financeira. Engenheiro Agrônomo (USP), Bacharel em Direito (UNIMEP), Mestre e Doutor em Economia Aplicada pela USP. Ganhador do prêmio BM&FBOVESPA de melhor dissertação/tese sobre derivativos (2004). Um eterno apaixonado em aprender e ensinar.

16 Comentários

  • 3 abr 2012 | Permalink | Responder

    Sábias palavras professor. O depoimento de sua amiga me lembrou um trecho do livro que estou lendo. Ao invés de sua amiga consumir toda a renda que sobrou no final do mês, ela poderia alocar uma parte em investimentos. Agindo dessa forma, ela nunca vai alcançar a independência financeira, pois esta começa com o ato de poupar para em seguida investir.
    O livro que estou lendo diz que muitas pessoas deixam de atingir os seus sonhos, justamente por essa cultura consumista, em que gastam toda a sua renda, e não investem absolutamente nada para formar um patrimônio que pode proporcionar uma aposentadoria confortável mais a frente ou até mesmo parar de trabalhar, caso seja esse o desejo da pessoa.
    Imagine convencer essa sua amiga, da necessidade de não gastar todo esse dinheiro que sobra no final do mês em roupas e ao invés disso passar a guarda-lo. Certamente, ela não concordará, a menos que deixe claro os benefícios dessa atitude, mostre um comparativo entre pessoas que ganham o mesmo salário, sendo que uma delas possui um patrimônio líquida 15x maior que o da outra, como será possível?!

    Abraços
    @laksantana

    • 3 abr 2012 | Permalink | Responder

      Olá Laksantana
      Muito obrigado pelo comentário. O artigo tem o objetivo que cada um possa refletir sobre seus hábitos de consumo e, a partir daí, traçar uma estratégia que melhor lhe convém.. Abração e aguardo próximos comentários.

  • 3 abr 2012 | Permalink | Responder

    O hábito de consumir é muito forte na maioria das pessoas e o comércio tem conseguido com maestria induzir as pessoas a isso.
    Conheço muitas pessoas que aliviam suas frustações ou gastando ou comendo: ambos errados. Tenho uma tia que tem mais de uma centena de sapatos, isto porque quando ela está triste vai ao shopping e compra sapatos, isto lhe dá prazer. Uma pena. Particularmente fico feliz quando consigo atingir objetivos financeiros.
    Abraço professor.

    • 3 abr 2012 | Permalink | Responder

      É isso aí meu caro Jônatas. Os exemplos estão aos montes e cabe a cada um de nós saber em qual padrão nos encaixamos. O bacana é refletir e discutir sobre o assunto. Abração e obrigado pelo comentário.

  • Anna Carolina
    3 abr 2012 | Permalink | Responder

    Olá! A nossa sociedade anda muito consumista! Até as crianças tem o verbo comprar bem definido em suas mentes. Precisamos ser pois ser é algo mais q existir!! Abçs.

  • 4 abr 2012 | Permalink | Responder

    Excelente artigo professor. Quando eu quero comprar algo bacana, eu não costumo comprar por impulso.

    Faço o seguinte. Eu coloco uma nota adesiva no meu PC (Notinhas adesivas do Windows) com o nome do protudo que quero comprar, pra mim lembrar desse objeto. Aí a noite eu pego e vou dar uma pesquisada sobre o produtor pela internet. Depois de achar um bom preço eu pego e checo para ver se há condições para adquirir tal produto.

    Criei também o hábito de fazer as três perguntinhas, antes de comprar qualquer coisa.

    1 – Eu preciso desse objeto?
    2 – Eu tenho dinheiro?
    3 – Tem que ser agora?

    Depois de respondê-las eu sei se preciso ou não.

    Parece complicado, mas se você cria uma rotina na sua vida, essas coisas se tornam fáceis de se fazer.

    Espero ter contribuido.

    Abraços….

    • 4 abr 2012 | Permalink | Responder

      É isso aí Thiago. Acho esse tipo de compartilhamento de experiências muito importante. Mesmo cada um tendo suas características pessoais, muitas vezes aprendemos com os outros. Abração e obrigado pela visita.

  • LUIZ PAULO GUIMARÃES
    4 abr 2012 | Permalink | Responder

    Pessoas como sua amiga não têm , na verdade, prazer com o que compram.
    O prazer resume-se em satisfazer o ato compulsivo de comprar e o efeito do prazer em geral termina com a assinatura do cheque ou com o ato de digitar a senha do cartão de débito/crédito.
    Feito isto, estarão prontas para serem seduzidas por uma nova armadilha de consumo.

    LUIZ PAULO – PALESTRAS SOBRE EDUCAÇÃO FINANCEIRA (lamgcris@gmail.com)

  • Ítalo Nogueira
    6 abr 2012 | Permalink | Responder

    Excelente Post. É sempre importante debater sobre o que queremos agora e confrontar com o que queremos para o futuro. O instinto consumista, cada vez mais mais predatório, que nós adotamos é um grande impecilho para investimentos concistentes para o longo prazo.

  • Messias
    7 abr 2012 | Permalink | Responder

    Dificilmente exista algum produto ou serviço de que necessitamos que ainda não foi inventado. Ao contrário, estamos atolados de bugingangas desprezíveis e descartáveis, compradas por muitos de nós apenas por causa da “magia do consumo” ou pelo fetiche da mercadoria. A produção capitalista chegou num estágio em que sua principal tarefa é plantar desejos, criar hábitos, fomentar estilos de vida… E parece q os marqueteiros tem ido muito bem nessa tarefa, pois, infelizmente, quase não vemos em parte alguma qualquer movimento ou protesto contra o consumismo desenfreado, seja em prol do bolso ou da salvaguarda da natureza. Não acho q devemos diminuir o consumo apenas por que nos impede de investir, mas, sobretudo, por que este modelo de consumo é extremamente destrutivo, nos escraviza, retira de nós o lugar de seres humanos livres e autodirecionados.

  • Yuri
    9 abr 2012 | Permalink | Responder

    Isso sem contar que você ainda consegue poupar se for viajar e fazer compras no exterior. Hoje em dia Brasil virou lugar para gente rica.

    Na Europa, por exemplo, uma camisa da Lacoste custa 25€, uma boa camisa social 19€, perfumes não passam dos 40€ ….e por aí vai.

    Se uma pessoa que passa a vida gastando aqui no Brasil, juntasse esse dinheiro, ao final de 1 ano talvez fosse capaz de conseguir fazer uma viagem para Europa/USA, comprar as mesmas coisas que iria comprar aqui e ainda correria o “risco” de ainda ter algum dinheiro no bolso.

    As vezes me pergunto: Até quando o Brasileiro se irá dar ao luxo de pagar por um produto 3x mais caro do que lá fora?

  • 14 abr 2012 | Permalink | Responder

    O artigo ilustra como a Educação Financeira é um processo que envolve mais que as habilidades intelectuais e o conhecimento financeiro. O auto conhecimento deve ser o primeiro passo ao traçarmos nossos objetivos financeiros. Será mais fácil resistir aos impulsos que nos fazem fugir de nosso planejamento financeiro se compreendermos a diferença entre necessidade e desejo e entre o Ser e o Ter.

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