Sobre Prof. Elisson de Andrade

Professor universitário e palestrante sobre Educação Financeira. Engenheiro Agrônomo (USP), Bacharel em Direito (UNIMEP), Mestre e Doutor em Economia Aplicada pela USP. Ganhador do prêmio BM&FBOVESPA de melhor dissertação/tese sobre derivativos (2004). Um eterno apaixonado em aprender e ensinar.

  • André Bona

    Olá meu querido amigo e professor Elisson! Estava lendo mais esse seu precioso artigo comparativo entre previdência e tesouro, e certamente existem alguns pontos que preciso ponderar contigo:

    1- Logo de início a sua ressalva foi perfeita: “escolher o investimento x” além de não fazer muito sentido transforma a questão numa escolha por retornos, o que necessariamente não é sempre o mais adequado.

    2- No tocante ao comparativo em si, o investidor deve atentar-se na hora de comparar pois existem tanto planos de previdência posicionados em renda fixa pós-fixados, como também atrelados ao IPCA e na tabela do tesouro, consideraste os diversos índices. Nesse caso, as previências comparativas devem ter as mesmas categorias dos respecitos indices. Existem planos de previdência posicionados em inflação e isso significa que teriam rentabilidades mais próximas dos indices atrelados a inflação. Sendo assim, toda a tabela comparativa só pode ser comparada com um único indicador, que é o IRF-M.

    3- Todos os custos pertinentes à previdência (exceto carregamento) estão considerados no cálculo de suas rentabilidades divulgadas, porém os custos pertinentes ao tesouro precisam ser feitos pelo investidor para evitar distorções na comparação.

    4- Quanto ao tratamento tributário, deve-se considerar também que a escolha por uma previdência PGBL permite uma antecipação de benefício fiscal que o tesouro não permite.

    5- Ainda quanto ao tratamento tributário, vale lembrar que um plano de previdência pode ser levado por anos e anos, décadas, enquanto os títulos do tesouro possuem vencimentos, serão tributados e precisarão ser reinvestidos. Isso gera um efeito parecido com o do come-cotas em fundos contra ativos, obviamente com um impacto menor.

    6- Outra possibilidade tributária, é o planejamento de impostos na tabela regressiva, onde o plano de previdência pode alcançar uma alíquota de 10% de IR, contra 15% do tesouro.

    7- E por fim, há a questão sucessória. Ao fazer um plano de previdência, o investidor pode definir os beneficiários sendo o recurso liberado, em caso de óbito, com rapidez. Isso é importante, pois normalmente os custos com despesas funerárias e inventário podem chegar a 10% do total do patrimônio inventariado. Essa conduta de planejamento familiar pode garantir aos herdeiros um conforto financeiro suficiente para levar o inventário adiante (sem ter que recorrer ao crédito) e ter condições financeiras para uma reorganização que acaba sendo necessária em eventos dessa natureza. Já o tesouro direto, irá para inventário e poderá ter sua liberação bem demorada para os herdeiros.

    Portanto, em minha opinião, esse tipo de contraponto entre tesouro x previdência fica vago – e aqui torna-se cristalina a sagacidade de sua introdução – pois o uso de cada uma das modalidades deve ser combinado numa estrutura de planejamento financeiro, o que é muito diferente de uma escolha por retornos. Acho que ambos precisam co-existir numa carteira.

    Por falar nisso, sobre aquela conversa que tivemos sobre a obrigatoriedade mínima dos dividendos a serem distribuídos aos acionistas, fiz a reparação da informação e publiquei tanto no Youtube quanto no Blog.

    Um grande abraço, meu amigo e vamos em frente!

    André Bona

    • Grande André

      Como sempre, suas pontuações foram muito pertinentes, fazendo desse espaço não um local unilateral de informações, mas um espaço de debate e troca de ideias. Alguns pontos que colocou tenho toda a humildade de dizer que nunca havia parado para pensar. MUITO OBRIGADO. Quem sabe não faça um segundo artigo para complementar esse!!!!!

      Com relação à questão 2), eu deveria realmente ter explicitado sobre a comparação principalmente com o IRF-M. A minha intenção foi mostrar o impacto dos custos, por isso escolhi apenas previdências RF, mas isso não me exime de um parênteses que vou colocar no artigo, sobre só poder comparar com o que se pode.

      Sua observação 3) me deixou intrigado. Eu achei que havia deixado claro que a taxa de administração já está computada na rentabilidade dos fundos, e que só faltaria computar a taxa do TD e carregamento da Previdência. Você não achou isso claro? Talvez eu tente dar mais ênfase nisso.

      Em relação às demais questões por você levantadas, a questão tributária não foi abordada para não deixar o artigo mais longo do que ficou, gostei muito de sua observação sobre sucessão, e realmente o TD possui essa desvantagem de precisar toda vez reaplicar o dinheiro, o que é um pouco complicado de ser considerado em uma simulação, mas fatalmente traz impactos negativos na rentabilidade total.

      Por fim, podemos concluir após toda essa discussão que o assunto não é simples, e que mostra-se como uma decisão MUITO DIFÍCIL de ser tomada pelos cidadãos. Existem muitas variáveis em jogo, muita incerteza, e outras questões que ainda faltam ser abordadas. Como educadores precisamos ajudar a simplificar isso, e acho que estamos no caminho certo.

      Forte abraço André.

      • André Bona

        O artigo está perfeiro integralmente professor.
        A escolha do investidor que deve sempre estar subordinada a um planejamento previamente elaborado (essa é minha opinião).

        Você não imagina que tem meses que estou idealizando um artigo para destruir o mito do come-cotas… rs…

        Grande abraço e, como sempre, parabéns pela qualidade deste e de todos os conteúdos que produz!

        Abs,

  • Parabéns pelo artigo, professor!
    Confesso que não entendo quase nada de previdência privada. Achei muito mais fácil aprender a investir em Renda Fixa e Renda Variável do que entender o contrato que o banco me passou, todas as taxas, modalidades, e etc. Tudo muito confuso. Não me apetece.

    • Olá @hevlin:disqus. Também não me apetece muito esse produto, pela tremenda confusão que fazem com ele. Estou no seu time!!!! Abraços e obrigado pelo comentário.

  • Paulinha Fernandes

    Professor, boa tarde. Parabéns pelo artigo. É excelente!
    Estudo Gestão Financeira e meu TCC é sobre investimentos conservadores mais atrativos que a poupança e que podem complementar a aposentadoria. No entanto, estamos achando (minha dupla e eu) muito difícil comparar os tipos de investimentos, uma vez que devemos levar em consideração diversos fatores como: risco, liquidez, rentabilidade, impostos e taxas, etc. Com base em sua experiência e conhecimento sobre o assunto, poderia me auxiliar numa maneira objetiva de comparar Tesouro, Poupança e Previdência?
    Também tivemos dificuldade em encontrar a rentabilidade dos fundos. Poderia nos auxiliar?

    Obrigada pela atenção.

  • Henriquecer

    Mto legal Professor!!! Queria aproveitar para deixar aqui o link para o meu blog http://www.henriquecer.com
    É sempre bom trocar ideias e discuti-las… ainda mais com uma galera dessa qualidade! Abração!

  • Thiago Lolkus Nigro

    Ótimo artigo professor!

  • Sandrinho

    Olá Elisson. O senhor poderia me dizer qual é o melhor investimento para quem quer deixar uns 200 mil reais no banco sem querer resgatar por uns 10 anos. Estou em dúvida entre a LCI (0,80% mês) e a Previdência Caixa ou BB que rende (1,02% mês) já que nas previdências apesar dos rendimentos serem maiores existe a dedução do IR e acabei de saber que pagamos taxas de administração ou carregamento. Como a minha pretendida previdência é sem contribuição mensal (só aporte inicial), seria melhor optar por ela? Obrigado

    • Olá @disqus_LBoMfwX9ie:disqus. Essa é uma pergunta que depende muito do futuro (qual será o CDI e, seus objetivos, que tipo de previdência vai escolher, a rentabilidade passada não significa que isso irá ocorrer no futuro etc). Mesmo que eu lhe dissesse algo, sempre haveria incertezas. Caso queira uma consultoria completa, precisaria enviar-me um email pelo CONTATOS, aí conversamos melhor.

  • clarisse almeida

    Caro Elisson,

    Tenho algumas dúvidas sobre providência privada e talvez sejam as mesmas dúvidas de outros amigos, que visitam seu site. Caso o senhor disponha de um tempinho, peço, por gentileza, respondê-las, se possível.

    Seriam as seguintes dúvidas:

    1- Existe algum plano de previdência privada, que remunere como o Tesouro Direto, como o NTN-B principal, por exemplo, que paga 6% de juros + IPCA ?

    2- Caso o seu aluno optasse pelo Tesouro Direto, como fazer com os outros meses e anos onde não haverá quaisquer resgates ?

    2.1- Por exemplo: Em uma previdência privada, o cliente recebe todo mês, já no Tesouro Direto, existem meses e anos específicos para o resgate – NTN-B principal Agosto 2024, depois outro em 2035…outro em 2050.

    2.2- Como fazer para que existam resgates em 2025, 2026, 2027…Qual seria a estratégia para receber nestes meses e anos ?

    3- É possível investir em Previdências Internacionais ?

    4- Os Títulos da Dívida de outros países (EUA, Inglaterra…) poderiam ser uma opção ?

    Desde já muito obrigado e obrigado pelas orientações de seu site!

    Abraços, Marcelo.”