Estresse financeiro de colaboradores endividados

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Em um cenário de inflação crescente, baixo crescimento do PIB e aumento do desemprego, cria-se um ambiente propício para que o ESTRESSE FINANCEIRO acometa cada vez mais colaboradores de empresas brasileiras, prejudicando sua produtividade e saúde física/mental.Dessa forma, nesse artigo iremos apresentar:

  • O que significa estresse financeiro
  • Como seu surgimento pode prejudicar a lucratividade de uma empresa
  • Qual a melhor forma de lidar com esse problema

 

O QUE SIGNIFICA ESTRESSE FINANCEIRO

Ficar estressado, financeiramente falando, significa um indivíduo sofrer alterações no seu estado físico e/ou psicológico, devido a não conseguir administrar adequadamente seu orçamento doméstico – tem dificuldades para honrar seus compromissos de maneira persistente, ao longo do tempo.São exemplos de situações que levam ao estresse financeiro:

1. Gastar mais dinheiro do que se ganha;
2. Utilizar crédito em demasia;
3. Utilizar o máximo do limite do cartão de crédito;
4. Estar sem dinheiro para despesas básicas;
5. Emitir cheque sem fundo;
6. Não possuir um fundo de emergência para situações inesperadas;
7. Não ter dinheiro para pagar suas contas na data de vencimento;
8. Não ter dinheiro para pagar parcelas de financiamento/empréstimo;
9. Receber avisos de cobrança de credores;
10. Contar com o dinheiro do mês seguinte para pagar débitos atuais;
11. Ter negado o pedido de novo empréstimo/financiamento (histórico de mau pagador);
12. Recorrer a empréstimos dentro da empresa ou obter crédito através de instituições
financeiras, para pagar as despesas do dia a dia ou outros débitos;
13. Possuir muitos passivos em relação aos ativos;
14. Não guardar dinheiro para previdência complementar;
15. Perder dinheiro em fraudes ou enganações.

Quando um ou mais desses fatores acima afetam um colaborador da sua empresa, cria-se um ambiente propício para o surgimento de um quadro de estresse financeiro, que irá prejudicar não só o indivíduo e sua família, mas também os resultados da empresa.

É sobre essa última consequência que falaremos a seguir.

 

REFLEXOS NEGATIVOS NAS EMPRESAS

Estudos acadêmicos bastante sérios indicam que um colaborador com problemas financeiros pode implicar em uma série de CUSTOS para as empresas, tais como:1. Absenteísmo;
2. Atrasos constantes;
3. Problemas de relacionamentos com colegas de trabalho;
4. Sabotagem de trabalho dos colegas;
5. Estresse no trabalho;
6. Diminuição de produtividade;
7. Diminuição da autoestima;
8. Perda de clientes devido a deficiências no atendimento por parte do colaborador;
9. Perda de dinheiro com negócios não concretizados;
10. Aumento de acidentes de trabalho (riscos aos quais se expõem);
11. Uso de substâncias nocivas (por exemplo: álcool e drogas ilícitas);
12. Envolvimento com crimes;
13. Aumento no uso de assistência médica do colaborador e seus familiares;
14. Aumento da probabilidade de furtos no ambiente de trabalho;
15. Falta de foco do colaborador nas estratégias da empresa;
16. Perda de tempo do empregador em tratar dos problemas financeiros do colaborador.

Esses CUSTOS acabam emergindo porque, em geral, o colaborador leva consigo esses problemas para o ambiente de trabalho, tirando sua concentração e foco para fazer o que é melhor para a organização.É importante que os empregadores e gestores tenham clareza que um colaborador com dificuldades financeiras pode estar passando por graves problemas pessoais, com reflexos em sua saúde. Abre-se as portas para o uso em excesso de drogas e alcoolismo. O relacionamento com filhos e cônjuge se deteriora. O estresse pode transforar-se em depressão. E por aí vai.

Portanto, os responsáveis diretos por esse colaborador precisam ficar atentos para poder IDENTIFICAR quando isso está prestes a ocorrer, tomando medidas preventivas.

É sobre essa questão que o próximo tópico se trata.

 

COMO LIDAR COM ESSE PROBLEMA

Achar que a situação financeira pessoal do colaborador é problema dele, significa abraçar importantes prejuízos para a própria empresa.É preciso monitorar e investir no capital humano, para que resultados acima da média sejam alcançados

Nesse contexto, uma importante ferramenta de capacitação dos colaboradores é a EDUCAÇÃO FINANCEIRA. Em outras palavras, quando uma empresa se preocupa em desenvolver a competência financeira de seu quadro de funcionários, consegue diminuir consideravelmente os riscos de surgimento do estresse financeiro.

A literatura acadêmica está repleta de estudos em que pesquisadores conseguiram medir o ganho para a empresa como um todo, tanto em clima organizacional como lucratividade, quando seus colabores tem um mínimo de conhecimento sobre como lidar com suas finanças pessoais.

Se o colaborador percebe que seus comandantes se preocupam com seu bem estar, ele se torna mais leal, fica menos estressado, aumenta sua produtividade e reduz o absenteísmo

Em suma, num cenário de crise econômica como a que passamos hoje em nosso país, aquelas organizações que investirem em educação financeira, ensinando seus colaboradores a viverem dentro do orçamento, colherão benefícios extraordinários no médio e longo prazos.

 

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Nenhuma ação, para educar financeiramente os colaboradores, faz sentido se não houver um diagnóstico prévio sobre sua SAÚDE FINANCEIRA.Ao avaliar a saúde financeira, de maneira indireta, também conseguimos verificar se existem grandes chances de desenvolvimento de quadros de estresse financeiro.

Mas como fazer esse diagnóstico? Como avaliar o potencial de estresse financeiro dos colaboradores?

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Ah, e deixe seus comentários nessa página e terei o maior prazer em responder a todos.

Sobre Prof. Elisson de Andrade

Professor universitário e palestrante sobre Educação Financeira. Engenheiro Agrônomo (USP), Bacharel em Direito (UNIMEP), Mestre e Doutor em Economia Aplicada pela USP. Ganhador do prêmio BM&FBOVESPA de melhor dissertação/tese sobre derivativos (2004). Um eterno apaixonado em aprender e ensinar.

  • Caro professor. Muito boa sua explicacao acima. Apenas acho que em um caso de funcionario de Bancos do sistema financeiro o item explicado “Como lidar com esse problema” entra em rota de colisao com a Educacao Financeira” pois essas empresas vivem justamente do fato da pessoa nao saber gerir sua vida financeira e por isso mesmo contrair emprestimos cada vez a juros mais altos. Sendo assim esse tipo de empresa nao se interessa em fazer seus funcionarios aprenderem a verdade sobre como administrar seu dinheiro com uma Educacao Financeira de alto nivel como a que o Sr. apresenta.
    Os bancos querem eh que as pessoas se endividem cada vez mais e /ou facam investimentos com retorno financeiro de juros pequenos que eles mesmos fornecem. Portanto, como educar finaceiramente um empregado de banco que tem de vender produtos que soh sao bons para o banco e nao para os clientes?

    • Olá @disqus_gPwpwp0Ya3:disqus. Primeiramente, MUITO OBRIGADO pela participação através dos comentários deste blog.
      Em relação à sua questão, não vejo conflito algum em uma instituição financeira (banco) ensinar educação financeira para seus colaboradores.
      Uma coisa é o funcionário do banco aprender a gerenciar seu orçamento e ter mais tranquilidade para trabalhar bem.
      Outra coisa são os produtos que vende (no caso, produtos financeiros) não serem bons.

      Em síntese: não vejo conflito entre ele gerenciar bem suas finanças e bater suas metas no banco, vendendo produtos que endividam as pessoas e rendem pouco. No máximo, um conflito ético/moral de vender algo que ele próprio não recomendaria para um amigo!

      Forte abraço.

      • Sim..um conflito etico moral do funcionario em vender produtos que ele mesmo nao compraria. E creio que o Banco nao pagaria a seu empregado para fazer um curso em que ele aprenderia “tanto” a ponto de perceber que os produtos financeiros que o Banco vende nao seriam tao bons para quem compra.
        O empregado teria de pagar dos seu proprio bolso a sua educacao financeira e “se bobear” dependendo do banco onde trabalha, de forma quase confidencial, pois aprenderia aquilo que os Bancos nao querem que o consumidor e cliente saibam, que eh uma educacao financeira seria e de qualidade, sem convenios com corretoras e bancos.